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۩ ESCΟLΗΔS ۩Você faz suas escolhas! Suas escolhas fazem você! (William Shakespeare) Somos o que escolhemos ser! |
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February 26 Maria do MorroMaria do Morro nasceu Maria Em pleno Carnaval, mas sem alegria. Mais uma criança, como outras tantas Que ali havia e ninguém percebia. Seu choro era fraco, seu corpo franzino. Os grandes olhos, arregalados, Denunciavam seu medo, do mundo que via. Chegou em má hora, dia de desfile Da comunidade em que ela vivia. Nem a mãe, se pudesse, ali estaria. As luzes, ao longe, mostravam a euforia Da grande cidade onde nasceu Maria.
Na festa onde pobres, trajados de reis Suavam e dançavam, agora esquecidos De todas mazelas, das balas perdidas Dos gritos de medo e corpos estendidos, Sentiam o orgulho das celebridades Após um ano inteiro desapercebidos. No estandarte as cores, da escola adorada. Na letra do samba o grito contido. Nas arquibancadas o grande alvoroço De ver quem é povo, agora aplaudido.
Maria não sabe, sequer imagina Sua mãe já sonha em vê-la rainha Rainha do morro e da passarela Arrancando suspiros de todos os homens Fazendo mulheres morrerem de inveja Com sua beleza estonteante e singela * Rose Marie *
February 11 CaminhosNos caminhos onde andei, conheci muitas pessoas e diferentes paisagens.
Algumas permanecem guardadas em minha lembrança, outras seguem comigo na construção do meu presente.
Houve momentos em que desacreditei em tudo e outros que achei que nada era impossível.
Teve gente que me decepcionou, mas algumas pessoas me ensinaram a acreditar.
Caminhei com dificuldade em certos trechos e outros percorri com segurança absoluta.
Em alguns lugares tive companhia, em outros me senti completamente só. Opção ou, apenas, um modo de perceber?
Trouxe comigo o que pude, entre coisas que julguei um dia precisar.
Algumas deixei para trás, pois percebi que só me retardavam a caminhada.
Existem aquelas que vão e vêm. Coincidência, talvez, ou uma nova oportunidade de olhar para elas?
Reconhecer sua importância e resgatar a possibilidade de toma-las nas mãos.
Quem sabe, torna-las parte de minha bagagem ou descobrir que agora tenho a força necessária para enfrenta-las com mais naturalidade?
Importante é não sentir o arrependimento pelo que ficou no caminho e que não volta mais.
Fazer das escolhas erradas uma ponte para a reflexão é a única solução possível.
Tentar percorrer cada lugar, sem deixar de notar todas as possibilidades.
Acreditar que sempre existe uma saída, mesmo nos piores momentos. Nos mais dolorosos.
Ter a percepção do que posso modificar e a segurança de enfrentar o que não é possível.
Fazer algumas pausas para contemplar o que a paisagem me oferece, pois tudo tem o seu tempo de acontecer. Há que se aproveitar cada minuto como único que é.
Deliciar-me com as conquistas, sem deixar de entender que elas me trarão algumas perdas.
Usar da minha sensibilidade para tomar algumas decisões, pois nem sempre a razão é a maior conselheira.
Ser verdadeira com aqueles que me são importantes e, acima de tudo, comigo mesma.
Reconhecer que erro mas que devo cuidar para que esses erros não causem sofrimento a outras pessoas.
Jamais deixar de perceber e sentir a energia da natureza que me envolve e saber trocar, com ela, o máximo que eu puder.
Saber olhar primeiro a posição do sol, antes de deixar-me assustar pelo tamanho das sombras.
Aprender, a cada dia, o verdadeiro significado de VIVER.
* Rose Marie *
September 02 O mundo não é maternalÉ bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo. Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco. O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso. O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito. Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba. O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa. O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se estrumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas. Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo. Mãe é de graça. August 28 Fé?
A quem cabe o cuidado dessas crianças? A mim, a você, aos pais delas ou ao governo? Enquanto tentamos decidir, elas crescem (ou não) e tornam-se aquilo que aprenderam a ser nas ruas. Sofrendo, sentindo fome, frio, medo, algumas vezes doentes, mas, totalmente abandonadas à própria sorte (ou azar). Fé, fagulha esquecida Tiro a ermo, bala perdida Te pegaram moleque... Faces? Foices. Frases Seca, sedenta poesia. Ácida terra, árido ventre Fecunda fome final. Te marcaram moleque... Céu... Duvidoso paraíso Moleques que não têm juizo Vão para lá de castigo. Por não comerem o vento Por não escovarem os dentes Por não passearem nos chopincenteres... Estás ferrado moleque... Por não frequentares escola Tanta escola! Tanta fartura... E você moleque, assaltando no meio da rua. Bem feito moleque! Mais um flanelinha no céu! Mais um desvalido a infernizar no tal paraíso Que alívio! Menos um nas estatísticas da fome. Moleque... Yon Rique July 29 Sou prosa! (republicando)Faço versos, versos simples, mas sou prosa e quanto mais revejo e releio meus escritos, mais me convenço disso. É quando escrevo sem medir o tempo, o espaço, sem fazer rimas e sem buscar metáforas em lindas palavras, que me solto e me coloco inteira. Sentimento puro, à flor da pele, recheado de momentos de puro carinho e, em outras vezes, carregados de pura ira. Escritas que demonstram alegria imensa, outras uma profunda tristeza, mas que elevam, fazem voar, energizam, acolhem, recolhem, envolvem e se dissolvem, mas que deixam marcas profundas e que me tornam essência de puro sentimento.
Se, algum dia, alguém quiser saber o que realmente faz com que eu me sinta viva eu sei que, ontem, hoje, amanhã e sempre eu direi, sem pensar sequer por um segundo: - sentir! Sentir que existo, vibro, amo, desejo, me encanto, me reconheço, percebo, entristeço, choro, perco o controle, recupero, subo, desço, respiro e transpiro, mas vivo. Vivo intensamente cada momento e isso é o que eu desejo fazer para sempre. Se, algum dia, alguém quiser saber o que realmente faz com que eu me sinta morrendo em vida, eu sei que, ontem, hoje, amanhã e sempre eu direi, sem pensar por um segundo: - não ser! Não ser eu mesma, medir palavras, buscar desculpas, ocultar sentimento, polemizar, deixar de ouvir, saber o outro, perguntar, esconder, me anular e constatar que perdi meu tempo com algo que não tivesse realmente sentido. Se alguém, um dia, quiser saber o que realmente faz com que eu me sinta feliz, ontem, hoje, amanhã e sempre eu direi, sem sequer pensar: - carinho! Carinho verdadeiro, que embala, transforma, aquece, estremece, supera, envolve, acolhe, transfere, purifica, marca, supera e que modifica tudo, para tornar-se cada vez maior. Se, por ventura, alguém me perguntar o que me deixa realmente triste eu direi, sem sequer piscar: - a violência! Violência gratuita, sem sentido, que fere, dói, magoa, persegue, repele, mata, corroi, animaliza, banaliza e sufoca até a morte. Se alguém me perguntar o que me causa dor, ontem, hoje, amanhã e sempre, com certeza eu direi: - o medo! Medo de não saber, de não ser, de não sentir Medo que paralisa, que destrói sonhos, que endurece, emperra, afasta e que impede a vida. Se alguém me perguntar, o que realmente me causa ira, ontem, hoje, amanhã e sempre eu direi: - o escárnio! Escárnio que envergonha, minimiza, que potencializa a dúvida, que tira a confiança, que amedronta, desmoraliza, embrutece, violenta, brutaliza e que faz com que o outro não se perceba capaz. Se alguém quiser saber o que me faz desistir de me aproximar de alguém, ontem, hoje, amanhã e sempre eu vou dizer: - a arrogância! Arrogância que afasta, bestifica, impede, incomoda, violenta, zomba e não se reconhece. Se alguém quiser que eu defina, em uma única palavra, a minha maneira de ser, ontem, hoje, amanhã e sempre eu responderei de imediato: - humana! Humana a ponto de sentir, permitir, abrir e baixar a guarda, oferecer, conciliar, reavaliar, superar, rever, doar, entregar, compreender e buscar, sempre, um modo de aproximar. Aproximar para saber, sem ser injusta, para conhecer, rever, ponderar e conviver para viver e então, sentir. Sentir que me faz voltar ao momento inicial desse desvendar de mim mesma e descobrir-me prosa. Um pouco poética, mas prosa.
* Rose Marie * |
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