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February 26 Maria do MorroMaria do Morro nasceu Maria Em pleno Carnaval, mas sem alegria. Mais uma criança, como outras tantas Que ali havia e ninguém percebia. Seu choro era fraco, seu corpo franzino. Os grandes olhos, arregalados, Denunciavam seu medo, do mundo que via. Chegou em má hora, dia de desfile Da comunidade em que ela vivia. Nem a mãe, se pudesse, ali estaria. As luzes, ao longe, mostravam a euforia Da grande cidade onde nasceu Maria.
Na festa onde pobres, trajados de reis Suavam e dançavam, agora esquecidos De todas mazelas, das balas perdidas Dos gritos de medo e corpos estendidos, Sentiam o orgulho das celebridades Após um ano inteiro desapercebidos. No estandarte as cores, da escola adorada. Na letra do samba o grito contido. Nas arquibancadas o grande alvoroço De ver quem é povo, agora aplaudido.
Maria não sabe, sequer imagina Sua mãe já sonha em vê-la rainha Rainha do morro e da passarela Arrancando suspiros de todos os homens Fazendo mulheres morrerem de inveja Com sua beleza estonteante e singela * Rose Marie *
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